Você já notou pequenas manchas amareladas nas pálpebras — especialmente nos cantos próximos ao nariz — e ficou em dúvida sobre o que poderiam ser? Esse sinal, muitas vezes ignorado por parecer apenas estético, tem um nome: xantelasma. E, apesar de não causar dor, ele pode revelar informações importantes sobre sua saúde.
O xantelasma é um depósito de gordura que se forma sob a pele das pálpebras. Embora seja benigno na maioria dos casos, sua presença frequentemente indica alterações no metabolismo lipídico — ou seja, nos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue. Por isso, identificá-lo cedo faz toda a diferença.
O que é xantelasma e por que ele aparece
O xantelasma palpebral se manifesta como placas levemente elevadas, de coloração amarelo-esbranquiçada, localizadas nas pálpebras superiores ou inferiores. Ele pertence a um grupo de lesões chamadas xantomas, que são acúmulos de lipídios em tecidos moles.
Na maioria dos casos, o xantelasma está associado a níveis elevados de colesterol LDL (o chamado “colesterol ruim”) ou a baixos níveis de HDL (o “colesterol bom”). Porém, em cerca de 50% dos pacientes, os exames laboratoriais mostram colesterol dentro da faixa normal — o que não descarta a necessidade de investigação clínica mais detalhada.
Quem tem mais risco de desenvolver xantelasma
Alguns perfis apresentam maior predisposição ao surgimento das placas amarelas nas pálpebras. Entre os principais fatores de risco, destacam-se:
- Dislipidemia (alteração nos níveis de gordura no sangue)
- Diabetes mellitus mal controlado
- Hipotireoidismo não tratado
- Histórico familiar de doenças cardiovasculares
- Obesidade e sedentarismo
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
Segundo informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia, indivíduos com xantelasma têm risco aumentado de eventos cardiovasculares, mesmo quando o colesterol aparenta estar normal. Por isso, a avaliação médica completa é fundamental.

Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico do xantelasma é essencialmente clínico: o médico observa as características das lesões durante o exame físico. No entanto, o oftalmologista costuma solicitar exames complementares para entender a causa subjacente.
Entre os exames mais solicitados estão o perfil lipídico completo (colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos), glicemia em jejum e função tireoidiana. Além disso, o profissional pode indicar uma consulta oftalmológica mais abrangente para verificar se há outras alterações oculares associadas.
É importante não confundir o xantelasma com outras condições, como terçol ou cálcio depositado na pele. O aspecto amarelado e a localização característica geralmente facilitam a diferenciação, mas apenas o especialista pode confirmar.
Tratamento: quando e como remover o xantelasma
O tratamento do xantelasma palpebral depende de dois fatores: a causa metabólica subjacente e o desejo do paciente em relação à aparência. Controlar o colesterol com dieta, exercícios e, quando necessário, medicamentos é o primeiro passo — e pode, em alguns casos, estabilizar as lesões.
Para a remoção das placas em si, existem diferentes abordagens:
- Excisão cirúrgica: retirada direta das lesões com bisturi, indicada para placas maiores
- Laser de CO₂ ou érbio: opção precisa e com boa recuperação estética
- Ácido tricloroacético (TCA): aplicação química que destrói o tecido afetado
- Crioterapia: uso de frio para destruir as células com depósito de gordura
Nenhuma dessas técnicas garante que o xantelasma não voltará se a causa metabólica não for tratada. Por isso, o acompanhamento clínico contínuo é indispensável.
Xantelasma afeta a visão?
Na maioria dos casos, o xantelasma não compromete diretamente a acuidade visual. No entanto, placas muito grandes podem causar desconforto mecânico nas pálpebras e, em situações raras, interferir no campo visual. Além disso, como as pálpebras têm papel essencial na proteção e lubrificação dos olhos, qualquer alteração nessa região merece atenção especializada.
Se você também percebe sensação de areia nos olhos ou outros desconfortos oculares, vale mencionar ao médico durante a consulta — pode haver mais de uma condição a investigar.
Dúvidas frequentes sobre xantelasma
O xantelasma some sozinho? Raramente. Sem tratamento específico, as placas tendem a permanecer ou crescer.
É possível prevenir o xantelasma? Manter o colesterol controlado, praticar atividade física e evitar tabagismo reduzem significativamente o risco.
Preciso operar? Não necessariamente. A decisão depende do tamanho das lesões, dos sintomas e da preferência do paciente, sempre com orientação médica.

Cuidar dos olhos vai além do que você enxerga

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