Você sente os olhos secos, com ardência ou aquela incômoda sensação de areia nos olhos no final do dia? Esses sinais podem indicar que a produção lacrimal está abaixo do ideal — e o teste de Schirmer é o exame que confirma essa suspeita de forma simples e objetiva.

Quando o resultado do teste de Schirmer fica abaixo de 10 mm em cinco minutos, o oftalmologista interpreta isso como sinal de redução lacrimal. Porém, entender por que isso acontece é tão importante quanto o diagnóstico em si. Diferentes causas exigem abordagens diferentes — e ignorar o problema pode agravar os problemas de visão e o desconforto no dia a dia.

O que o teste de Schirmer mede, exatamente?

O teste de Schirmer utiliza uma tira de papel-filtro posicionada na borda inferior da pálpebra. Em cinco minutos, o profissional mede o quanto a tira umedece. O resultado reflete diretamente a capacidade das glândulas lacrimais de produzir lágrimas em quantidade suficiente para lubrificar e proteger a superfície ocular.

Vale lembrar que a lágrima não é só água: ela tem uma camada lipídica, uma aquosa e uma mucosa. Quando qualquer uma dessas camadas falha, o resultado pode ser ressecamento ocular mesmo com produção aparentemente normal. Por isso, o exame costuma ser combinado com outras avaliações clínicas.

Envelhecimento e alterações hormonais

A produção lacrimal diminui naturalmente com a idade. Após os 50 anos, as glândulas lacrimais reduzem gradualmente sua atividade, tornando o ressecamento mais frequente em adultos mais velhos. Nas mulheres, esse processo se intensifica durante a menopausa, quando a queda dos estrogênios afeta diretamente a qualidade e o volume da lágrima.

Além disso, alterações na tireoide — tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo — também podem comprometer a síndrome do olho seco. Por isso, o oftalmologista frequentemente investiga o histórico hormonal do paciente quando o teste de Schirmer retorna alterado.

Uso de telas, medicamentos e lentes de contato

O ambiente digital contribui muito para o ressecamento ocular. Ao focar em telas por horas, a frequência de piscar cai pela metade, o que reduz a distribuição da lágrima pela superfície do olho. Esse hábito, combinado com ambientes climatizados, agrava bastante o quadro.

Certos medicamentos — como anti-histamínicos, antidepressivos, diuréticos e alguns colírios para tratamento para glaucoma — também reduzem a secreção lacrimal como efeito colateral. Outro fator relevante é o uso inadequado de lentes de contato: pode dormir com lente de contato? A resposta é não. Dormir com as lentes aumenta o atrito, a hipóxia corneana e o ressecamento, podendo inflamar a superfície ocular e comprometer ainda mais a produção lacrimal.

Doenças sistêmicas e inflamações oculares

Algumas condições sistêmicas afetam diretamente as glândulas lacrimais. A síndrome de Sjögren, por exemplo, é uma doença autoimune que destrói progressivamente essas glândulas. O lúpus, a artrite reumatoide e o diabetes também aparecem associados ao ressecamento ocular crônico.

No campo ocular, a alergia ocular e as inflamações da superfície podem danificar as células caliciformes responsáveis pela camada mucosa da lágrima. Isso cria um ciclo vicioso: a inflamação resseca, e o ressecamento inflama. Entender essa dinâmica é essencial para escolher o tratamento para olho seco mais adequado a cada caso.

Teste de Schirmer alterado: o que pode causar baixa produção de lágrimas? — Como hidratar os olhos e quais tratamentos existem?

Como hidratar os olhos e quais tratamentos existem?

A boa notícia é que existem várias opções terapêuticas. Aprender como hidratar os olhos corretamente é o primeiro passo: colírios lubrificantes sem conservantes, compressas mornas e pausas regulares no uso de telas fazem diferença significativa no cotidiano.

Para casos moderados a graves, o oftalmologista pode indicar colírios com ciclosporina, tampões punctais para reter a lágrima ou suplementação com ômega-3. Quando há inflamação associada, o tratamento anti-inflamatório precisa ser incluído. Já a consulta oftalmológica periódica é indispensável para monitorar a evolução e ajustar a terapia conforme a resposta do paciente.

Se você convive com olhos cansados, ardência frequente ou visão turva ao longo do dia, esses podem ser sinais de que a produção lacrimal está comprometida. Não ignore esses alertas.

Quando procurar um especialista?

O teste de Schirmer alterado não é um diagnóstico isolado — é um ponto de partida. A investigação das causas exige anamnese detalhada, avaliação da superfície ocular e, muitas vezes, exames complementares. Quanto antes o paciente busca atendimento, maiores são as chances de controlar o ressecamento antes que ele cause danos à córnea.

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